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Empresa admite insuficiência de caixa para honrar dívidas de 2026 e diz que a EchoStar não apresenta capacidade ou intenção de aportar recursos. Risco de Chapter 11 é explicitado no relatório.

A Hughes Satellite Systems Corporation (HSSC) afirmou em seu relatório do terceiro trimestre, divulgado na sexta-feira, 14, que existe “substancial dúvida” sobre sua capacidade de continuar operando ao longo dos próximos 12 meses.

O alerta decorre de caixa insuficiente, da incapacidade de refinanciar compromissos de curto prazo e, principalmente, da falta de suporte financeiro da controladora EchoStar, que enfrenta um processo de venda de licenças de espectro e não demonstra condições de sustentar as operações da subsidiária, diz o relatório financeiro.

A companhia registra que não possui recursos disponíveis – nem em caixa, nem em aplicações, nem em fluxo de caixa projetado – para cobrir necessidades de capital de giro, investimentos recorrentes, juros e vencimentos de dívida que se acumulam em 2026. O relatório também afirma que não há financiamentos comprometidos ou garantias externas que possam ser acionadas para mitigar o risco.

EchoStar não indica capacidade ou intenção de quitar dívidas da Hughes

A Hughes declara que não pode mais recorrer à controladora para pré-pagamentos, empréstimos intercompany ou injeções extraordinárias. O documento afirma que a EchoStar “não demonstra possuir recursos, disponibilidade de crédito ou perspectiva operacional” que lhe permitam assumir diretamente os compromissos financeiros da subsidiária.

Mesmo a transação de US$ 17 bilhões envolvendo a venda de espectro para a SpaceX – estruturada pela EchoStar – não altera a situação imediata da Hughes, pois os recursos não estão disponíveis para a subsidiária e a conclusão da transferência de licenças está prevista apenas para 2027.

Segundo o relatório, essa combinação de fatores cria um cenário no qual nenhuma das entidades do grupo possui liquidez ou capacidade de aporte capaz de impedir a deterioração financeira da Hughes nos próximos 12 meses.

Chapter 11 é considerado pela administração

A companhia afirma expressamente que, diante da impossibilidade de reestruturar dívidas, obter novos financiamentos ou receber capital da controladora, uma eventual proteção judicial sob o Chapter 11 (lei de recuperação judicial e falências dos EUA) é uma das alternativas em análise. O documento indica que a medida seria avaliada caso fosse considerada “no melhor interesse da companhia e de seus stakeholders”.

Resultados pressionados por perda de assinantes e impairment

No terceiro trimestre, a Hughes registrou receita de US$ 340,1 milhões, queda anual de 11,1%. A base de banda larga recuou de 912 mil para 783 mil assinantes em 12 meses. O prejuízo líquido foi de US$ 59,8 milhões.

A empresa reconheceu ainda um impairment de US$ 10,6 milhões decorrente da decisão da EchoStar e da SpaceX envolvendo ativos e autorizações regulatórias.

FONTE: TELE.SÍNTESE