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O mercado de conectividade espacial deve atingir um novo patamar de densidade nos próximos meses. Isso porque o número de satélites em órbita baixa (LEO) deve saltar para um intervalo entre 15 mil e 18 mil unidades até o final deste ano. A previsão está no relatório TMT Predictions 2026, da consultoria Deloitte. 

A expectativa é de que o total de assinantes desses serviços de banda larga ultrapasse a marca de 15 milhões no mesmo período.

De acordo com o relatório, esse crescimento tem a ver com a consolidação de cinco grandes constelações globais. Dentro desse grupo está a Starlink, que recebeu na semana passada autorização nos Estados Unidos para operação de 7,5 mil satélites adicionais.

Há ainda o Project Kuiper (Amazon LEO), cuja meta é ter 1,6 mil satélites operando até o final de 2026. As outras três constelações citadas pela Deloitte que devem impulsionar esse aumento são chinesas ainda pouco comentadas no Ocidente: Guowang, Honghu-3 e G60/SpaceSail. Esta última busca entrada no Brasil. 

Estratégias

Segundo a análise, as operadoras de satélites LEO estão adotando estratégias distintas. Enquanto algumas buscam parcerias com empresas de telecomunicações locais, outras optam pela competição direta por meio de modelos de assinatura.

Mas há um desafio técnico importante a ser colocado na balança por essas companhias. É que como os satélites têm vida útil curta (de quatro a cinco anos), cerca de 20% a 25% de cada constelação vai precisar ser substituída anualmente para manter a capacidade operacional. “É provável que o investimento inicial permaneça alto ao longo do tempo”, argumenta a consultoria.

Satélites estimados em órbita terrestre baixa, com conexão direta a dispositivos. Imagem: Reprodução/Deloitte
Satélites estimados em órbita terrestre baixa, com conexão direta a dispositivos. Imagem: Reprodução/Deloitte

“A banda larga via satélite está se consolidando como uma forte alternativa a certos serviços terrestres tradicionais, especialmente em regiões em desenvolvimento“, aponta o documento. Um exemplo disso é a Nigéria. Por lá, um provedor de satélite LEO tornou-se o segundo maior ISP do país apenas dois anos após entrar naquele mercado. 

Já no Brasil, a Starlink aparece como a 13ª operadora com a maior quantidade de assinantes (mais de 556,5 mil). A empresa também é uma das que mais cresce. No último balanço da Anatel, por exemplo, a empresa liderou as adições de clientes ao lado da Vivo.

D2D

No segmento de conectividade direta para dispositivos (D2D), a Deloitte estima que o investimento em infraestrutura (majoritariamente em novos satélites) atinja entre US$ 6 bilhões e US$ 8 bilhões em 2026.

O relatório aponta que já existem mais de 1 mil satélites com capacidade D2D planejados para estar em órbita até o final do próximo ano. O principal objetivo é oferecer serviços essenciais como mensagens de emergência e texto em áreas sem cobertura celular terrestre.

D2D no celular satélite
Smartphone Pixel 9 (Google) é um dos exemplos de modelos que contam com tecnologia D2D  para solicitar serviços de emergências em áreas remotas. Imagem: Reprodução/Google

Entretanto, a avaliação dos analistas é de que o caminho para o lucro com o D2D ainda é incerto e, portanto, os modelos de negócios para essa tecnologia “ainda não estão claros”.

O desafio estaria no fato de que muitas das populações que mais se beneficiariam dessa tecnologia residem em áreas de baixa renda, o que torna os serviços de dados potencialmente inacessíveis sem subsídios ou novos formatos de cobrança.

FONTE: TELETIME