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O compartilhamento de postes, o combate à criminalidade (incluindo a digital) e a agenda de espectro estão no centro dos esforços das principais associações do setor de telecomunicações em 2026 no Brasil.

Durante o Seminário de Políticas de Comunicações promovido por TELETIME em Brasília nessa terça-feira, 24, representantes das entidades defenderam maior organização do mercado, condições regulatórias equilibradas e avanço em políticas públicas que garantam segurança jurídica e competitividade.

Conexis

O presidente-executivo da Conexis, Marcos Ferrari, afirmou que o combate à concorrência desleal precisa ser tratado como prioridade institucional. Segundo ele, o setor enfrenta um cenário de informalidade que compromete a qualidade do serviço e precariza o trabalho

Ferrari também associou o tema à ocupação irregular de postes e à necessidade de maior organização do setor. Ele defendeu ainda iniciativas conjuntas das associações para enfrentar distorções estruturais. O presidente-executivo da entidade que representa empresas de telecom e de conectividade também citou a segurança como eixo central da agenda, mencionando desde roubo de cabos até golpes digitais, como o chamado “falso advogado”.

Outro ponto destacado foi a renovação do modelo de Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) direto, que permite às operadoras aplicarem recursos em projetos aprovados pelo governo. “Esse ano vence o Fust direto. Nós temos que trabalhar para renovar porque é a forma mais fácil e rápida de aplicar o recurso“, afirmou Ferrari.

Associação Neo

O presidente executivo da Associação Neo, Rodrigo Schuch, colocou o compartilhamento de postes no topo da lista de prioridades para 2026. “A situação hoje é extremamente complicada. Você tem empresas pagando mais de R$ 17 por ponto de fixação e não existe uma lógica clara sobre esse modelo de precificação”, disse.

A entidade, que representa prestadoras de pequeno porte (PPPs), defende a definição de um preço-teto de referência com a justificativa de que isso reduziria incertezas regulatórias. “Ter o preço certo já na largada e, dessa forma, trabalhar as eventuais consultas da metodologia de precificação e custos. É isso que estamos trazendo aqui talvez de mais relevante”, afirmou.

Schuch também destacou o combate à informalidade e às facções criminosas que atuam sobre a infraestrutura de telecomunicações. “Estamos chegando em um momento extremamente crítico: funcionários sequestrados e redes sequestradas. Em alguns lugares, tivemos cidades inteiras sequestradas. E, ao final do dia, temos nossas obrigações”, contou. Além disso, ele incluiu na agenda a descentralização de data centers e a defesa de políticas de espectro que contemplem operadoras regionais e MVNOs.

InternetSul

Representando a InternetSul, Fábio Badra destacou que os últimos dois anos foram marcados pela sobrevivência dos provedores do Rio Grande do Sul, após as enchentes. Para 2026, a associação pretende priorizar qualificação e governança dos pequenos provedores. “Agora é bom momento de olhar para dentro de casa, para que eles [provedores] possam enfrentar este cenário de mudanças importantes do nosso setor”, afirmou.

Badra também reforçou a defesa da regularização do mercado. “Quem queira estar neste setor, que esteja em conformidade com o regulamento e alinhado com as boas práticas do setor”, comentou. A entidade ainda deseja ampliação do acesso ao crédito, especialmente por meio do Fust, considerado “extremamente importante, vital” para os provedores regionais.

Abert

Na radiodifusão, a agenda combina inovação tecnológica e defesa institucional. O presidente executivo da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Cristiano Flores, afirmou que o ano eleitoral exige atenção redobrada à liberdade de expressão. “A Abert tem uma atuação muito consolidada em três pilares. O primeiro é um pouco mais etéreo, é de defesa da liberdade de expressão e de imprensa.”

No campo tecnológico, a entidade trabalha para iniciar as transmissões da TV 3.0. De acordo com ele, o novo padrão “coloca a radiodifusão com seus dois pés na economia digital“, afirmou. A nova tecnologia une transmissão pelo ar e por streaming no mesmo sinal.

Flores também mencionou a agenda de espectro como elemento central da transição. “Com a TV 3.0 nós precisamos de mais espaço”, disse, ao citar a destinação da faixa de 300 MHz para viabilizar a mudança tecnológica.

Anatel e MCom

Também presente no evento, o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, afirmou que a agência está à disposição para contribuir com o combate ao cibercrime, dentro de suas competências. “A decisão final não é nossa. A decisão é do governo e do Legislativo. A decisão que for tomada, nós estaremos prontos para cumprir.”

Já o secretário de telecomunicações do Ministério das Comunicações, Hermano Tercius, disse que a pasta vê perspectiva positiva no enfrentamento à criminalidade contra a infraestrutura, destacando a articulação com o Ministério da Justiça e a inclusão do tema como pauta prioritária.

FONTE: TELETIME