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Gunnar Bedicks detalha uso de recursos remanescentes da digitalização para testes em São Paulo e Brasília, desenvolvimento de aplicativos e distribuição inicial de receptores da nova geração.

A Seja Digital está montando uma frente operacional para acelerar o desenvolvimento e a validação da TV 3.0 no Brasil, com estações experimentais, salas técnicas em nuvem, desenvolvimento de aplicativos e uma primeira leva de 3 mil set-top boxes de engenharia. A estratégia foi detalhada pelo CTO da entidade, Gunnar Bedicks, durante painel da SET realizado em Brasília nesta manhã, 18 de março.

Segundo ele, a Seja Digital atua em parceria com o Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital em um projeto de “aceleração do desenvolvimento da tecnologia”. O foco, afirmou, não é já a implantação comercial em escala, mas o aumento da maturidade técnica para que essa fase comercial aconteça com mais segurança.

Salas técnicas, cloud e testes on-premises

Para isso, a entidade tem buscado envolver toda a cadeia de fornecedores. Bedicks disse que todos os fabricantes de transmissores atuantes no mercado brasileiro participam hoje do projeto. Também estão presentes fabricantes de antenas e desenvolvedores de software ligados a elementos centrais da arquitetura da DTV+, como Dash Encoder, signaling server e gateway.

A Seja Digital criou o que chama de “salas técnicas” em ambiente de nuvem e também trabalha na implementação desse arranjo em ambiente on-premises. O objetivo é oferecer aos radiodifusores um ambiente de testes e experimentação, para que possam observar o comportamento da tecnologia e formar convicção sobre a melhor forma de implementá-la.

São Paulo já opera; Brasília entra em abril

Na parte física da infraestrutura de testes, Bedicks afirmou que já estão operacionais estações em São Paulo, com parcerias em torres da Record, do SBT e do Jaraguá, onde operam Bandeirantes, Globo, SBT e Record. A próxima etapa é Brasília.

Segundo ele, a Seja Digital começa na semana que vem a instalação da estação experimental da capital federal, em parceria com a EBC, na torre central. A entrada em operação deve se dar no início de abril.

Essas estações servirão não apenas para testes de engenharia, mas também para que a indústria, os desenvolvedores e os próprios radiodifusores acompanhem na prática a operação do novo sistema.

Set-top boxes começam a ser distribuídos em junho

Embora não haja definição a respeito de políticas públicas para distribuição de set-top boxes à população, a Seja Digital trabalha no desenvolvimento e teste desses equipamentos domésticos. Segundo Bedicsk, 3 mil set-top boxes de engenharia estão encomendados e em produção. A distribuição dessas unidades deve começar em junho e terá como público principal radiodifusores, formadores de opinião, ministérios e entidades governamentais.

A proposta, segundo ele, é fomentar o contato com a tecnologia e permitir testes concretos das soluções que vêm sendo desenvolvidas pelo fórum e pelo setor de radiodifusão.

Bedicks explicou que esses primeiros receptores ainda são set-top boxes, mas destacou que o mesmo elemento central — o silício e o dispositivo-base — deverá ser usado futuramente nos televisores. Ou seja, essa fase funciona também como ponte para a indústria de receptores finais e smartvs.

Recepção melhora e plataforma pública já estará embarcada

Na avaliação do CTO, um dos avanços mais significativos tem sido o comportamento da recepção. Ele lembrou que o demodulador MIMO era um componente crítico e que havia dúvidas, ainda no ano passado, sobre sua maturidade. Segundo afirmou, o chip ficou pronto no fim de 2025 e as primeiras amostras dos receptores surgiram já em janeiro.

Bedicks disse que os testes apontam ganho de cerca de 8 dB no limiar de recepção em comparação com o ISDB-T. Na prática, isso pode melhorar a recepção em áreas mais distantes ou desafiadoras, inclusive com reflexos positivos sobre a recepção da TV 2.0 nos aparelhos da nova geração.

Ele também afirmou que a fase atual envolve testes de antenas internas em regime de co-design, isto é, com desenvolvimento conjunto da antena e do receptor para melhorar o desempenho final.

Outro ponto destacado foi o desenvolvimento dos aplicativos que rodarão nesses equipamentos. Segundo ele, no primeiro lote de set-top boxes distribuído já estará implementada a plataforma comum de governo digital e comunicação pública, prevista no novo arranjo da TV 3.0.

FONTE: TELE.SÍNTESE