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CEO Denio Alves Lindo afirmou que a companhia não abrirá nova frente de expansão de rede, reduzirá a prioridade de aquisições e seguirá apostando em MVNO, B2B e streaming.

A Desktop apresentou ao mercado uma estratégia mais conservadora para 2026, centrada na monetização da infraestrutura já implantada, na geração de caixa e na ampliação de receitas sobre a base existente. Na teleconferência de resultados realizada nesta quarta, 18, o CEO Denio Alves Lindo sinalizou que a companhia não pretende abrir um novo ciclo de expansão de rede e que a prioridade será aumentar a ocupação da malha já construída.

A mudança de ênfase ocorre após a operadora encerrar 2025 com 4,844 milhões de casas passadas, 1,208 milhão de acessos ativos, presença em 200 cidades e cerca de 58 mil quilômetros de rede no estado de São Paulo. A companhia também registrou R$ 210 milhões de geração de caixa no acumulado do ano, alta de 140% em relação a 2024.

Na conferência, Denio afirmou que a empresa seguirá “cada vez mais ocupando a rede, agregando novos produtos aos clientes da base, abrindo novas frentes no B2B e escalando a trajetória no móvel”. A empresa atua no segmento móvel desde 2024, através de MVNO em que a TIM é a operadora de origem.

Menor expansão física

A principal sinalização estratégica na conferência com analistas foi a de que a Desktop não fará nova expansão de rede no curto prazo. A companhia passará a concentrar o capex na penetração de portas já existentes, em vez de ampliar cobertura territorial.

Esse direcionamento já aparecia nos números de investimento de 2025. O capex ajustado da companhia somou R$ 407,6 milhões no ano, dos quais R$ 231,1 milhões foram destinados à instalação de clientes. Os desembolsos com expansão de rede de acesso ajustada ficaram em R$ 40,3 milhões, enquanto os investimentos em backbone somaram R$ 33,7 milhões .

A leitura estratégica é que a companhia entra em uma fase de maior foco sobre retorno do capital investido. No encerramento da teleconferência, Denio resumiu esse posicionamento: “Neste cenário de juros elevados, entendemos que a melhor estratégia para companhias e os acionistas é reforçar a geração de caixa”.

Aquisições saem do centro da agenda

Outro ponto apresentado ao mercado foi a perda de prioridade do crescimento inorgânico. A companhia indicou que, diante do ambiente macroeconômico e da decisão de reforçar caixa, aquisições não estão no centro da estratégia neste momento.

A mensagem é que a empresa está mais focada em rentabilidade, redução da intensidade de capital e maior previsibilidade financeira.

Essa orientação aparece também na forma como a Desktop passou a modular o ritmo comercial. Na conferência, a empresa sustentou que a redução das adições líquidas no quarto trimestre decorreu de decisão interna, com seleção mais criteriosa de clientes e canais.

MVNO, B2B e streaming

Ao mesmo tempo em que desacelera a expansão física, a Desktop tenta abrir novas avenidas de receita. A companhia citou como frentes prioritárias o móvel via MVNO, o mercado corporativo e a oferta de streaming.

Na prática, a empresa busca elevar o ticket médio e rentabilizar melhor a base já conquistada, com produtos complementares e menor necessidade de capital intensivo. O avanço dessas linhas foi citado pela administração como parte da estratégia para sustentar crescimento sem repetir o mesmo ritmo de investimento em infraestrutura.

Denio afirmou que a Desktop está “agregando novos produtos aos clientes da base, abrindo novas frentes no B2B e escalando a trajetória no móvel”. A companhia também informou que os canais digitais responderam por 63% das vendas totais no quarto trimestre, 7 pontos percentuais acima do mesmo período de 2024, dentro da estratégia de buscar aquisição mais eficiente e clientes com melhor perfil .

Questionado sobre a negociação de fusão com a Claro, Denio não apontou avanço. A resposta foi: “Mais especificamente com relação a Claro, ainda não temos nada de concreto a reportar”.

FONTE: TELE.SÍNTESE