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A agência reguladora de serviços de comunicações no Reino Unido, a Ofcom, apresentou uma proposta para compartilhar a faixa superior do espectro de 6 GHz entre serviços móveis e Wi-Fi. A consulta pública sobre o plano foi aberta nesta sexta-feira, 9, e vai até 20 de março.

A proposta prevê a priorização de Wi-Fi em uma parte da faixa superior, nos 160 MHz entre 6425–6585 MHz; e serviços móveis na outra, nos 540 MHz entre 6585–7125 MHz. A proposta prevê controles tecnológicos rígidos para evitar interferências.

O Wi-Fi de baixa potência poderia utilizar parte do espectro a partir do final de 2026, com a entrada dos serviços móveis ocorrendo em uma fase posterior. A medida visa impulsionar a banda larga avançada para indústrias e empresas, garantindo que o Wi-Fi acompanhe a evolução das redes de fibra óptica.

Em paralelo, a Ofcom também está consultando sobre a possibilidade do uso de Wi-Fi de potência padrão na faixa inferior de 6 GHz (5925–6425 MHz), com ajuda da tecnologia AFC (sistema automatizado de coordenação de frequências), inclusive em ambientes externos.

Objeções da indústria móvel

A indústria móvel, no entanto, defende que a faixa superior do 6 GHz seja alocada exclusivamente para as operadoras. Este é o cenário atual no Brasil, por exemplo.

Entidade global das operadoras móveis, a GSMA expressou forte preocupação com a sinalização, argumentando que o compartilhamento pode restringir futuras implantações móveis e prejudicar a economia de escala global.

Diretor de engajamento em espectro da GSMA, Luiz Felipe Zoghbi, afirmou que a organização “ressalta a importância do alinhamento com a recente opinião do RSPG (grupo consultivo que trata de políticas de espectro de radiofrequência para a Comissão Europeia) e com estruturas mais amplas de harmonização mundial, que são essenciais para garantir economias de escala, sustentabilidade, interoperabilidade de dispositivos e uso eficiente do espectro”.

Isso quer dizer que existiria o risco de o Reino Unido se isolar caso siga com o uso dual da faixa superior de 6 GHz, o que poderia afetar a interoperabilidade de dispositivos e a sustentabilidade do setor.

“Olhando para o futuro, a faixa de 6 GHz é essencial para o desenvolvimento do 6G e para viabilizar casos de uso avançados em toda a indústria, serviços e sociedade, e preservar um caminho claro para o uso móvel nessa faixa é fundamental para que o Reino Unido mantenha a liderança, destrave a inovação e impulsione o crescimento econômico de longo prazo”, declarou Zoghbi, segundo o Mobile World Live.

FONTE: TELETIME