Escolha uma Página

Entidades setoriais, tanto sindicais quanto empresariais, estiveram nesta terça, dia 21, reunidas com o ministro do Desenvolvimento, Indústra e Comércio e vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para tratar das medidas antidumping estabelecidas pelo Brasil contra importações de fibras e cabos chineses no final do ano passado. As medidas estabeleceram uma sobretaxa de US$ 47,46 por kg de fibra e US$ 2,42 por kg dos cabos de fibra importados da China, e geraram intensa reação do setor de telecomunicações.

As empresas expuseram ao ministro os pesados impactos setoriais: estimativa de fechamento de mais de 700 empresas, possibilidade de demissão de 150 mil pessoas e aumento de custos para as operadoras, que devem ser repassados ao consumidor. Segundo as contas apresentadas, no cabo drop, essencial para a conexão de domicílios com fibra, o aumento de custo deste equipamento pode chegar a 260%.

Participaram da reunião, organizada pela Feninfra, as entidades InternetSul, RedeTelesul, Telcomp, Associação Neo, Abramulti e a própria Feninfra, pelo lado empresarial, e as entidades sindicais Fenatel e representantes do Sinttel de São Paulo e Santa Catarina, segundo apurou este noticiário.

O vice-presidente Geraldo Alckmin pediu para que o setor apresente por escrito uma análise com os impactos para que possam ser estudadas alternativas.

Segundo Vivien Suruagy, presidente da Feninfra, todo o mercado de telecomunicações é severamente afetado pelas medidas antidumping. “Não questionamos as preocupações do governo em estabelecer as medidas, mas o fato é que os efeitos são muito pesados para um setor que é intensivo em mão de obra e que tem promovido a inclusão digital do Brasil. Estimamos em mais de 700 empresas sendo afetadas com o risco real de fechamento, e mais de 150 mil empregos sendo perdidos, além de afetar a população diretamente”, diz Suruagy, que representa as empresas responsáveis pela manutenção e instalação de redes. 

“Um governo que tem uma agenda social e preocupação com os empregos como prioridade precisa olhar esse impacto com muita atenção”, diz ela. “A reunião mostrou forte união do setor e preocupação com o futuro das políticas de conectividade”, disse.

Impactos e consequências

Para Luiz Henrique Barbosa, presidente executivo da Telcomp, ainda que o pleito dos fabricantes nacionais de fibra e cabos seja justo, existe um efeito colateral muito ruim para o mercado de telecomunicações.  “Não defendemos o dumping e apoiamos uma competição justa, mas existe um problema prático de aumento de custos em um setor que já é extremamente competitivo, que são os provedores de serviços de banda larga. Foi um setor que, não por sua responsabilidade. O que a gente pede que se monitore para ver se os efeitos das medidas antidumping não vão para o consumidor”, diz ele, lembrando que toda a lógica econômica do mercado de banda larga foi estabelecida em uma equação de custos. “A análise antidumping mostrou que havia uma distorção, mas isso não pode se refletir sobre o consumidor, e nem há espaço competitivo para isso, e nem todas as empresas terão condições de buscar alternativa”, diz ele em referência ao equipamento chinês. “A banda larga a um preço médio de R$ 79,90 não paga esse novo custo de fibra”, diz Barbosa.

O que o setor pede, diz ele, é a possibilidade de uma revisão das medidas, ou de um escalonamento para que o impacto seja menor nos equipamentos mais demandados e de maior impacto final, como os cabo drop, que segundo as entidades, pode ter um aumento de 260% com as medidas antidumping. Segundo ele, hoje os operadores competitivos importam 93% dos cabos da China e não haveria capacidade da indústria nacional para dar conta dessa demanda. 

“Reitero que a gente quer que a indústria brasileira de fibra e cabos se fortaleça e seja competitiva, mas as medidas antidumping têm um impacto direto que precisa ser acompanhado pelo governo. Temos que lembrar que o preço da banda larga praticamente não sofre reajuste de um ano para o outro. Aliás, somos um dos poucos setores que não contribui para a inflação há muitos anos”.

FONTE: TELETIME